
Em entrevista, o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) defendeu a valorização dos trabalhadores da Amazônia Azul Tecnologias de Defesa, a Amazul, empresa pública criada para atuar em projetos relacionados ao Programa Nuclear da Marinha e ao desenvolvimento do submarino brasileiro com propulsão nuclear.
Zarattini lembrou que seu mandato contribuiu para a criação da empresa, em um período no qual o Brasil buscava ampliar sua capacidade tecnológica na área nuclear e constituir uma estrutura institucional voltada à execução desses projetos.
“O meu mandato contribuiu para a criação da Amazul. Naquele momento, toda essa estrutura estava concentrada na Emgepron. Como o Brasil precisava dar um salto no desenvolvimento da pesquisa nuclear e do submarino com propulsão nuclear, foi necessário criar uma nova empresa”, afirmou.
Segundo o deputado, a Amazul também foi concebida para oferecer melhores condições de trabalho aos profissionais envolvidos nessas atividades, que exigem elevada especialização e são marcadas pela disputa por mão de obra qualificada.
“A Amazul veio com a proposta de melhorar as condições de trabalho de quem estava envolvido nesses projetos, até porque a disputa por esses profissionais no mercado é muito grande”, disse.
De acordo com Zarattini, ao longo dos anos, a empresa perdeu parte da capacidade de oferecer condições salariais compatíveis com o grau de qualificação e de responsabilidade exigido de seus trabalhadores. Para ele, essa defasagem dificulta a permanência dos profissionais e pode comprometer a continuidade dos projetos desenvolvidos pela Amazul.
“A nossa luta é para que a Amazul volte a ter condições de reter seus trabalhadores. Para isso, precisa pagar salários melhores”, declarou.
A Amazul foi autorizada pela Lei nº 12.706, de 8 de agosto de 2012, e constituída em 2013, a partir de uma cisão parcial da Empresa Gerencial de Projetos Navais, a Emgepron. A empresa passou a atuar em atividades relacionadas ao Programa Nuclear da Marinha, ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos, o Prosub, e a outras iniciativas vinculadas ao Programa Nuclear Brasileiro.
O quadro da Amazul reúne profissionais das áreas de engenharia, física, química, pesquisa científica, tecnologia nuclear e gestão de projetos. A formação desses trabalhadores exige anos de estudo, treinamento específico e conhecimento adquirido durante a execução dos próprios programas.
A saída desses profissionais pode provocar perda de conhecimento técnico acumulado, atrasos nos projetos e aumento dos custos de formação de novas equipes. A substituição não ocorre de maneira imediata, sobretudo em atividades submetidas a exigências de segurança, especialização e domínio tecnológico.
As reivindicações por recomposição salarial e melhores condições de trabalho também têm sido apresentadas pelas entidades representativas da categoria. Os trabalhadores apontam perdas remuneratórias e dificuldades da empresa para competir com os salários oferecidos pelo setor privado a profissionais com formação semelhante.
Para Zarattini, a política de remuneração da Amazul deve ser compreendida como parte da política nacional de defesa, ciência e tecnologia. Na avaliação do deputado, preservar o quadro de trabalhadores significa manter no setor público o conhecimento necessário à continuidade de programas ligados à autonomia tecnológica e à soberania nacional.
“Estamos falando de profissionais que trabalham com tecnologia nuclear e com projetos ligados à soberania do país. Valorizar esses trabalhadores é garantir que o conhecimento permaneça na empresa e que o Brasil consiga dar continuidade aos seus programas estratégicos”, concluiu.
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