Zarattini defende fim da escala 6×1 e diz que trabalhador precisa ter sua parte nos ganhos de produtividade do país

Em debate na capital paulista, parlamentar reforça defesa de mais direitos e qualidade de vida para os trabalhadores

14 maio 2026, 17:07 Tempo de leitura: 2 minutos, 27 segundos
Zarattini defende fim da escala 6×1 e diz que trabalhador precisa ter sua parte nos ganhos de produtividade do país

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) defendeu, nesta quinta-feira (14), o fim da escala 6×1, a redução da jornada para 40 horas semanais e a garantia de dois dias consecutivos de folga para os trabalhadores brasileiros. A declaração foi feita durante seminário realizado no Palácio do Trabalhador, sede da Força Sindical, em São Paulo, no âmbito da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que debate a redução da jornada de trabalho.

Durante o evento, Zarattini afirmou que o país precisa avançar novamente na legislação trabalhista, assim como ocorreu na Constituição de 1988, quando a jornada semanal foi reduzida de 48 para 44 horas. “Há 38 anos, na Constituinte, reduzimos a jornada. Agora está na hora de uma nova mudança, de uma nova vitória para os trabalhadores. Não tenho dúvida de que vamos conquistar a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, sem redução de salários”, declarou o parlamentar para centenas de trabalhadores presentes no seminário.

Os argumentos de setores empresariais contrários à mudança na legislação trabalhista foram criticados por Zarattini. Esses setores afirmam que a redução da jornada poderia provocar falta de mão de obra. Segundo o deputado, milhões de jovens têm migrado para os aplicativos justamente pelas condições precárias encontradas em parte do mercado formal. “Nós temos hoje muitos empresários que reclamam da falta de trabalhadores, mas temos mão de obra sobrando. Temos 1,7 milhão de trabalhadores, a maioria jovens, atuando nos aplicativos. Essa turma poderia vir para a formalidade se tivesse condições dignas. Estão nos aplicativos porque muitas empresas pagam mal e não garantem folga aos trabalhadores”, afirmou.

Ao defender a redução da jornada, Zarattini também criticou a tese de que o Brasil não teria produtividade suficiente para sustentar a mudança. O parlamentar citou transformações ocorridas na indústria, na construção civil, no comércio e nos transportes para afirmar que o país passou por um amplo processo de modernização produtiva nas últimas décadas. “Dizer que não houve aumento de produtividade no Brasil é uma mentira muito grande. O que o trabalhador brasileiro ganhou nesses 40 anos? Nenhum dia a mais de folga, nenhuma redução de jornada”, disse.

Para o deputado, os trabalhadores precisam participar dos ganhos econômicos produzidos pelo avanço tecnológico e pelo aumento da produtividade nacional. “Agora é a hora do trabalhador ter a sua parte”, afirmou.

O seminário reuniu trabalhadores, centrais sindicais, parlamentares e representantes de diferentes setores da sociedade. Participaram da atividade o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a ministra Marina Silva, o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, o presidente da Comissão Especial sobre a redução da jornada, Alencar Santana, o relator da proposta, Leo Prates, além dos deputados Reginaldo Lopes, Alfredinho e Juliana Cardoso.