Siga o dinheiro: partidos suspeitam que Banco Master financiava extrema direita

PT, PV e PCdoB pedem que Polícia Federal e Procuradoria-Geral investiguem se filme Dark Horse era fachada para alimentar ação do bolsonarismo

15 maio 2026, 17:06 Tempo de leitura: 3 minutos, 7 segundos
Siga o dinheiro: partidos suspeitam que Banco Master financiava extrema direita

Seguir o caminho do dinheiro é sempre a lógica mais eficaz para esclarecer suspeitas de fraudes, corrupção e rastrear a real destinação de investimentos. Com base nesta premissa, parlamentares do PT, PV e PC do B, que integram a Frente Brasil da Esperança, apresentaram uma representação criminal nesta quinta-feira, 14, à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Os partidos pedem que seja investigada a possível existência de uma engrenagem de financiamento político da extrema direita com dinheiro do Banco Master e de emendas parlamentares.

Os partidos suspeitam que recursos financeiros oriundos do “ecossistema do Banco Master”, de emendas parlamentares e de empresas ligadas à produção do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, eram parte de uma “engrenagem comum de financiamento político, comunicação internacional, blindagem judicial e sustentação do golpe continuado contra as instituições brasileiras”.

O que motivou a representação foi o pedido do senador Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, de repasse de R$ 134 milhões para o filme. Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões.

A hipótese que precisa ser investigada, segundo os partidos aliados, é se esse volume de dinheiro, boa parte ancorado em repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, serviu para alimentar caixa 2 de campanha e a promoção política da família Bolsonaro.

A apuração exige cooperação internacional com autoridades norte-americanas, como o FBI, “para rastrear contas, empresas, fundos, beneficiários finais e eventuais pagamentos a advogados, lobistas, consultores e operadores políticos nos Estados Unidos”. Os alvos da investigação não seriam apenas os valores solicitados por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, mas também emendas parlamentares de bolsonaristas destinadas a ONGs vinculadas ao mesmo ecossistema empresarial, ações que podem estar conectadas com o mesmo fim.

“A convergência desses fluxos sugere a existência de um mecanismo de dupla alimentação financeira: de um lado, dinheiro privado de banqueiro investigado; de outro, dinheiro público transferido por parlamentares bolsonaristas a entidades interconectadas. Esse arranjo exige apuração sob a ótica da lavagem de dinheiro, da ocultação de beneficiários finais, da simulação de finalidade, da fragmentação de repasses e da eventual utilização de estruturas culturais, religiosas, sociais e audiovisuais como fachada para financiamento político”, justificam os partidos em trecho da representação.

Longa lista de pedidos

Com uma longa explanação e apresentação de fatos, os três partidos fazem à PF e à PGR 10 pedidos, incluindo, especialmente:

– instauração de investigação criminal para apurar a possível prática de lavagem de dinheiro, organização criminosa, peculato, desvio de recursos públicos, falsidade ideológica, evasão de divisas, crimes contra a soberania nacional e demais delitos conexos;

– a apuração da conduta de Flávio Bolsonaro na negociação, intermediação e cobrança de valores a Daniel Vorcaro;
a investigação da possível utilização do filme Dark Horse como fachada, simulacro contratual ou instrumento de dissimulação patrimonial;

– a requisição, aos órgãos públicos competentes, de informações essenciais sobre as emendas parlamentares, convênios, termos de fomento, transferências especiais e contratos públicos relacionados às entidades investigadas;
a instauração de cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos para apurar possível lavagem de dinheiro transnacional;

– e, por fim, a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive quebras de sigilo, bloqueio de ativos, sequestro de bens, preservação de documentos e compartilhamento de provas com o Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal, o COAF, o Banco Central, a Receita Federal, o TCU e demais órgãos competentes.

Texto originalmente publicado pelo site do PT e republicado aqui