Projeto de Zarattini que garante incentivos à indústria química nacional vai à sanção

O PLP 14/26, vai além de uma mera desoneração tributária conjuntural. A proposta organiza uma arquitetura de transição entre o atual Regime Especial da Indústria Química (REIQ) e o futuro Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (PRESIQ)

25 fev 2026, 18:04 Tempo de leitura: 2 minutos, 48 segundos
Projeto de Zarattini que garante incentivos à indústria química nacional vai à sanção

O deputado federal e vice-líder do governo no Congresso Nacional, Carlos Zarattini (PT-SP), comemorou a aprovação do Projeto de Lei Complementar 14/2026, de sua autoria, que estabelece alíquotas de transição reduzidas para as indústrias química e petroquímica. O texto diminui as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins para empresas do setor enquadradas em regime fiscal especial. A medida terá validade até a migração definitiva para o novo modelo tributário, previsto para entrar em vigor a partir de 2027. A proposta segue agora para sanção presidencial.

Para Zarattini, a aprovação do projeto vai permitir o fortalecimento da indústria nacional, garantir segurança jurídica durante o período de transição e preservar empregos em um segmento estratégico para o desenvolvimento econômico do país. “Estamos assegurando condições para que a indústria química e petroquímica continue produzindo, investindo e gerando empregos enquanto o novo sistema tributário é implementado”, afirmou.

O PLP 14/26, vai além de uma mera desoneração tributária conjuntural. A proposta organiza uma arquitetura de transição entre o atual Regime Especial da Indústria Química (REIQ) e o futuro Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (PRESIQ), cuja vigência plena está prevista para 2027, buscando evitar um vácuo regulatório e financeiro em 2026 que poderia aprofundar a fragilidade competitiva do setor. Com isso, o governo vai ampliar de R$ 1 bilhão para R$ 3,1 bilhões o orçamento destinado ao Regime Especial da Indústria Química (Reiq) em 2026.

Tecnicamente, o texto altera a Lei nº 11.196/2005 e a Lei nº 10.865/2004 para modular as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins, tanto na produção doméstica quanto nas importações de insumos petroquímicos estratégicos. O projeto estabelece uma redução escalonada das alíquotas ao longo de 2026, com patamares mais baixos entre março e dezembro, criando um alívio de custos no momento em que o setor enfrenta elevada ociosidade e forte pressão de produtos importados.

Ao mesmo tempo, o PLP delimita o custo fiscal do benefício. A renúncia de receita associada ao REIQ fica limitada a R$ 1,1 bilhão em 2026, enquanto o impacto total estimado de R$ 3,1 bilhões será compensado por previsões já incorporadas à Lei Orçamentária Anual e por ganhos de arrecadação decorrentes da Lei Complementar nº 224/2025. Essa engenharia busca compatibilizar estímulo industrial com responsabilidade fiscal, tema sensível no debate econômico atual.

Do ponto de vista de política pública, o projeto explicita que o REIQ não é concebido como um benefício permanente, mas como uma “ponte de estabilidade” até a implementação do PRESIQ. Este último pretende alinhar a indústria química brasileira a diretrizes de descarbonização, economia circular e atração de investimentos em fertilizantes e biorrefinarias, articulando política industrial com transição energética.

A justificativa do projeto enfatiza o caráter estrutural da indústria química como “indústria das indústrias”, dada sua transversalidade na matriz produtiva. O texto destaca que o setor responde por cerca de 11% do PIB industrial, registrou faturamento de US$ 167,8 bilhões em 2025, mas convive com um déficit comercial de US$ 44,1 bilhões e custos elevados de gás natural, fatores que justificariam intervenção estatal temporária.