
O presidente Lula abriu a segunda reunião ministerial do ano, nesta terça-feira (26), no Palácio do Planalto, em Brasília. Diante da equipe de ministros, Lula tratou dos desafios da conjuntura internacional, do tarifaço de Donald Trump aos conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza. Ao reforçar a defesa da soberania nacional, o presidente instou ministros a fazerem o mesmo em suas manifestações.
“É importante que cada ministro nas falas que fizer daqui pra frente faça questão de retratar a soberania desse país. Nós aceitamos relações cordiais com o mundo inteiro, mas não aceitamos desaforo, ofensas e petulância de ninguém.”
O presidente voltou a atacar a postura dos Estados Unidos, em especial as novas ameaças feitas por Donald Trump a países que decidirem regular as Big Techs. Lula afirmou que o Brasil não aceitará ingerências externas. “Ele continua fazendo ameaças ao mundo inteiro. Ontem à noite, publicou uma nota dizendo que quem mexe com as Big Techs deles vai sofrer as consequências. Isso pode ser verdade para eles. Para nós, esse patrimônio não é nosso.”
Ao reforçar a autonomia do país, Lula foi enfático. “Nós somos um país soberano, temos uma Constituição e uma legislação. Quem quiser entrar nos nossos 8 milhões e meio de km², no nosso espaço aéreo, no nosso espaço marítimo, na nossa floresta, tem que prestar contas à nossa Constituição.”
“Estamos dispostos a sentar na mesa em igualdade de condições. O que não estamos dispostos é sermos tratados como se fossemos subalternos. Isso nós não aceitamos de ninguém. É importante saber que o nosso compromisso é com o povo brasileiro”, advertiu Lula.
Ele também criticou a família de Bolsonaro, sobre a traição ao Brasil a partir de sua atuação nos Estados Unidos. “O que está acontecendo hoje com a família do ex-presidente e o comportamento do filho dele nos Estados Unidos é possivelmente uma das maiores traições que uma pátria sofre de filhos seus. Isso é inexplicável.”
Missão estratégica ao México
Lula anunciou ainda que o vice-presidente Geraldo Alckmin liderará uma comitiva de ministros e empresários em uma missão estratégica ao México. O convite feito pela presidente Claudia Sheinbaum e ocorre em meio às recentes medidas de tributação pelos Estados Unidos.
“Eu conversei com a Claudia e disse que ia mandar o meu vice-presidente, alguns ministros e empresários para que as pessoas possam descobrir o potencial de relacionamento entre o México e o Brasil. Será uma viagem muito importante e de sucesso”, afirmou.
Guerra na Ucrânia e genocídio em Gaza
O presidente dedicou parte do discurso à situação internacional e comentou sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia e a crise humanitária em Gaza. Lula observou que, embora haja sinais de que uma guerra no Leste Europeu se aproxima do fim, persistem disputas sobre quem assumirá os custos da residência.
Sobre Gaza, fez um apelo: “Todo dia tem uma novidade, todo dia mais gente morre, crianças esqueléticas aparecem na mídia atrás de comida e são assassinadas como se fossem do Hamas. A fragilidade da governança mundial é tão grande que ninguém toma atitude.”
Lula defendeu mudanças profundas na governança global e reforçou a necessidade de reformar a Organização das Nações Unidas (ONU) para que conflitos e genocídios não surjam sem resposta.
“É por isso que vamos continuar brigando para que a governança mundial seja recompensada e fortalecida com a entrada de muitos outros membros.”
Medidas econômicas
Durante a reunião, Alckmin apresentou as medidas econômicas lançadas pelo governo Lula e destacou avanços na política industrial. Ele elogiou o presidente Lula pelo lançamento do programa de renovação do parque industrial brasileiro e anunciou novos investimentos para modernizar máquinas, equipamentos e aumentar a competitividade.
“O presidente Lula lançou ontem o programa para bens de capital. São 10 bilhões do BNDES, 2 bilhões da Finep, com juros variando entre 8% e 10%. O objetivo é renovar o parque industrial brasileiro, com máquinas que hoje têm em média 15 anos. Agora, com depreciação acelerada em dois anos, vamos financiar 12 bilhões para aumentar a produtividade, reduzir custos e gerar mais competitividade.”
Alckmin também apresentou resultados do programa do carro sustentável e celebrou o sucesso das vendas, com impacto ambiental, social e econômico positivo.
“O presidente Lula lançou o IPI zero para o carro de entrada, um carro sustentável que é 80% reciclável, emite menos de 83 gramas de CO₂ por quilômetro rodado, é flex e tem motor 1.0. Seis montadoras já aderiram e os carros estão sendo vendidos por cerca de R$ 63 mil. Isso permite que mais pessoas de baixa renda tenham acesso a um carro novo, gera empregos e estimula a indústria.”
O vice-presidente criticou as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e destacou que a medida é injustificada, pois atinge setores estratégicos da economia nacional.
“Dos 20 países do G20, só três têm superávit com os Estados Unidos: Brasil, Reino Unido e Austrália. Mesmo assim, a taxação chegou a 50% para diversos produtos. O presidente Lula tem orientado diálogo permanente. Nós não abrimos mão da soberania do Brasil, mas vamos negociar para corrigir essa distorção e preservar empregos.”
Alckmin anunciou ainda o plano Brasil Mais Soberano, com um pacote de crédito de R$ 40 bilhões, juros mais baixos e fundo garantido para apoiar empresas exportadoras. Ele disse que o governo também prorrogou o sistema dedraubaque, ampliou ou reintegra e busca abrir novos mercados para reduzir a dependência do comércio com os Estados Unidos.
Balanço de entregas
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, apresentou um panorama detalhado das ações do governo Lula ao longo de dois anos e oito meses de gestão. Ele destacou que o país está passando por um processo de transformação e que os resultados obtidos até aqui são frutos do trabalho conjunto de todos os ministérios.
Segundo Rui Costa, o Brasil retomou o protagonismo internacional e vive uma fase de orientação de políticas públicas voltadas para a redução da desigualdade, para a geração de empregos e para a melhoria da qualidade de vida da população.
Ele citou a saída do país do mapa da fome, os menores índices de pobreza e extrema pobreza desde 2012, a criação de 16.744 novos leitos hospitalares, a habilitação de 2.392 novos serviços no SUS e a execução de R$ 818 bilhões pelo PAC, além da contratação de 1,7 milhão de moradias pelo Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
O ministro também destacou a ampliação de matrículas em tempo integral, que chegou a 1,4 milhão, a retomada de mais de 2.000 creches que estavam paralisadas, a abertura de 400 novos mercados internacionais e o crescimento da renda média dos trabalhadores, que aumentou 9% nos últimos dois anos. Para ele, os resultados mostram que o país está “dando a volta por cima” e caminhando para níveis ainda melhores.
“O Brasil está dando a volta por cima e aqui a gente destaca: o Brasil sem fome e a gente pode comemorar dois anos e oito meses do retorno do presidente Lula, do nosso governo. Esse é um trabalho coletivo do conjunto dos ministérios e cada um pode dizer que tem uma gotinha nesse oceano de ações que resultaram em retirar o Brasil do mapa da fome.”
Costa adiantou ainda que, a partir de agora, as reuniões ministeriais serão divididas por áreas temáticas para aprofundar a análise dos programas e resultados. O governo pretende, segundo ele, dar mais capilaridade à comunicação das entregas e ampliar a presença dos ministros nos estados, com o objetivo de fortalecer a visibilidade das ações e dos impactos concretos na vida da população.
Texto publicado pelo site do PT Nacional.