Lula comemora 1ª vacina da dengue, 100% brasileira, e faz defesa da ciência

Em seu discurso, no Instituto Butantan, presidente faz apelo à população para que volte a participar de campanhas de vacinação

9 fev 2026, 17:35 Tempo de leitura: 5 minutos, 26 segundos
Lula comemora 1ª vacina da dengue, 100% brasileira, e faz defesa da ciência

Foto: Stuckert

O presidente Lula anunciou nesta segunda-feira, 9, em visita ao Instituto Butantan, em São Paulo, investimentos no valor de R$ 1,4 bilhão. O evento marcou o início da campanha de vacinação de todos os profissionais de saúde da atenção primária do SUS contra a dengue, com a Butantan-DV, uma vacina 100% nacional.

Em seu discurso, Lula reforçou a importância de investir na ciência para melhorar a qualidade de vida das pessoas e comemorou a realização. “Quando a gente vê um instituto com a cara e com a marca do Butantan celebrar a primeira vacina contra a dengue do mundo, uma coisa nossa, criada por nós, pesquisada por nós, e quem sabe a gente possa produzir em quantidade para servir os países mais pobres do que nós, sobretudo a América Latina e África. Por que nós não acreditamos em nós?”, refletiu, acrescentando que o governo federal tem investido fortemente na ciência. “Quem é que faz inovação nesse país se não é investimento público?”, indagou.

O presidente fez um apelo para que a cultura da vacinação volte a ser uma realidade entre a população. “É difícil convencer a sociedade a voltar a tomar vacina, como havia antigamente. Nós temos que ter a obrigação de não desanimar, de fazer campanha, de falar na escola, que os professores falem, os pastores falem, os padres falem, os políticos falem, até que a gente convença as pessoas de que tomar vacina significa evitar a possibilidade de que em algum momento a natureza possa atrapalhar a vida de uma pessoa. É isso que eu estou fazendo aqui. Então, eu venho para dizer para vocês: enquanto eu tiver possibilidade de ajudar, não faltará dinheiro para pesquisa nem ao Butantan nem a outro instituto de pesquisa desse país.”

O presidente Lula comemorou, ainda, os resultados positivos do seu terceiro ano de governo, lembrando que o mundo inteiro vive um “sectarismo negacionista”. “Eu sou um cidadão de muita sorte. Toda vez que eu ganho uma eleição, os meus adversários dizem que o Brasil dá certo porque eu tenho sorte. Não sei se vocês perceberam, nós só voltamos a crescer acima de 3% depois que eu voltei à presidência, porque de 2011 a 2022 a gente não crescia mais que 1,5%. Isso é sorte, isso é sorte de saber montar uma equipe, isso é sorte de saber tomar decisão”, afirmou o presidente, reforçando o esforço do governo pela busca de indicadores positivos.

Butantan, 125 anos de ciência

Durante a cerimônia, o diretor do Instituto Butantan, Esper Georges Kallás, fez um discurso emocionado, enaltecendo o SUS e a ciência, lembrando que a instituição está completando 125 anos, investindo cada vez mais em pesquisa e inovação, e lançando uma vacina inédita para o mundo. “Foram 15 anos de desenvolvimento, envolvendo centenas de profissionais e 16 centros públicos de pesquisa no Brasil”, celebrou.

Kallás defendeu o papel social das campanhas de vacinação, que contribuem para a diminuição das desigualdades. “O Butatan está se posicionando para encontrar a solução definitiva para o enfrentamento às arboviroses, que são viroses transmitidas por mosquitos, destacando que já existe a da chikungunya, dengue e estamos desenvolvendo a da zika.”

A previsão é que, com a nova vacina, sejam protegidos 1,2 milhão de trabalhadores que atuam na linha de frente do SUS. A expansão da vacinação para outros públicos, de 15 a 59 anos, começando pelos mais velhos, está prevista para o segundo semestre deste ano à medida que o Instituto Butantan amplie a sua capacidade de produção, mas os municípios de Maranguape, no Ceará, Botucatu, em São Paulo, e Nova Lima, em Minas Gerais, já iniciaram uma estratégia piloto de vacinação.

Investimentos em ciência

Na solenidade, foram assinadas quatro ordens de serviço para ampliar o complexo do Instituto. Os recursos serão aplicados na construção de duas novas fábricas, além da modernização de outras duas. O investimento integra política voltada ao fortalecimento da indústria da saúde, com foco nas necessidades da população.

“O presidente Lula é o único presidente da história do nosso país a visitar o Butantan, e o faz hoje pela segunda vez”, disse em seu discurso o ministro da saúde, Alexandre Padilha, lembrando que em 2003 houve uma cerimônia para lançar a vacina contra o vírus Influenza, com a presença do chefe do executivo. “Cada vacina que sai daqui, cada medicamento que sai daqui, cada tecnologia ou inovação tem o objetivo de tratar as pessoas no Brasil e cada vez mais, vai tratar no mundo com um único interesse: salvar vidas, e não obter lucro a partir daquilo que produz”, declarou Padilha, acrescentando que a cerimônia é um marco histórico para o Instituto Butantan e para a história da ciência no Brasil.

“Uma das questões mais importantes de garantia à soberania, e a pandemia mostrou isso, é a capacidade de produzir no seu país, ou em cooperação com outros países, o que seu povo precisa para proteger a sua saúde”, ressaltou o ministro.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou a importância do Butantan, como o maior instituto soroterápico da América Latina, e que os recursos que o governo federal está destinando vão propiciar um salto ainda maior no setor. “Três coisas mudaram o mundo: água tratada, vacina e antibiótico.”

O vice-presidente lembrou que há mais de cem anos o Butantan iniciou seus trabalhos produzindo soro antiofídico, e finalizou elogiando os pesquisadores: “O Butantan só tem cobra. Mas não são os ofídicos, é que todos os cientistas aqui são cobras. Parabéns, bom trabalho.

Novo PAC

O governo federal, via Ministério da Saúde, está investindo R$ 31,5 bilhões por meio do Novo PAC em obras, equipamentos e veículos para promover um salto de qualidade e expansão no SUS.

Trata-se do maior programa de investimentos em infraestrutura na saúde, com 2.600 UBS, 334 CAPS, 101 policlínicas, 4.643 ambulâncias do SAMU 192, 800 Unidades Odontológicas Móveis – UOMS, e diversos outros tipos de obras e equipamentos.

Da Rede PT de Comunicação, com informações da Agência Brasil.