
Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) criticou o discurso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), feito nos Estados Unidos neste fim de semana, sobre a exploração e a entrega de terras raras e minerais críticos do Brasil. O parlamentar acusou o senador de agir contra os interesses nacionais e afirmou que sua postura atenta contra a soberania do país.
Segundo ele, o parlamentar destacou que Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro estavam nos Estados Unidos fazendo política contra o próprio Brasil. “Foram capazes de prestar continência aos americanos e ainda prometem entregar as terras raras. Flávio é entreguista, um vendilhão da pátria, como todo o clã Bolsonaro”, afirmou.
Zarattini também criticou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e disse que ele atua no mesmo campo político de Flávio Bolsonaro. “Não por acaso, eles querem entregar as terras raras aos americanos, mas podem tirar o cavalinho da chuva. Vocês serão derrotados e as riquezas nacionais continuarão pertencendo ao povo brasileiro”, declarou.
O que são terras raras?
As terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos, formado pelos 15 lantanídeos, além do ítrio e do escândio. Esses elementos são utilizados em tecnologias de alta complexidade, como ímãs para motores elétricos, turbinas eólicas, celulares, catalisadores e equipamentos aeroespaciais. Apesar do nome, não são necessariamente raros na crosta terrestre. O problema está na dificuldade de localizar jazidas com viabilidade econômica e de realizar o processamento industrial.
No Brasil, os principais estados com recursos já identificados são Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe, além de ocorrências registradas em áreas da Amazônia e do Nordeste.
Quanto o Brasil tem e por que isso importa?
Estudos do Serviço Geológico do Brasil e do Ministério de Minas e Energia indicam que o país possui volume expressivo de recursos de terras raras. Relatórios oficiais apontam reservas significativas, com estimativas em torno de 21 milhões de toneladas de óxidos de terras raras, o que coloca o Brasil entre os países com maiores reservas do mundo.
Esses minerais têm peso estratégico na economia contemporânea porque são usados em setores ligados à transição energética, à indústria eletrônica, à defesa e às tecnologias de ponta. Por isso, o debate sobre sua exploração envolve soberania, política industrial e controle nacional sobre riquezas que serão cada vez mais disputadas no cenário internacional.