Câmara realiza sessão solene pelo Dia da Libertação da Itália

A data marca o fim da ocupação nazifascista, a derrota do regime fascista e a restauração da democracia italiana, em 1945.

24 abr 2026, 13:09 Tempo de leitura: 4 minutos, 39 segundos
Câmara realiza sessão solene pelo Dia da Libertação da Itália
Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) presidiu, na Câmara dos Deputados, a sessão solene em homenagem ao Dia da Libertação da Itália, a Festa della Liberazione, celebrado em 25 de abril. A data marca o fim da ocupação nazifascista, a derrota do regime fascista e a restauração da democracia italiana, em 1945.

Durante a cerimônia, Zarattini destacou o significado histórico e atual da celebração e ressaltou a importância de preservar a memória democrática. “Ao realizarmos esta homenagem nesta Casa, não estamos apenas recordando um episódio do passado. Estamos reafirmando valores que permanecem centrais no presente: o compromisso com a democracia, com a dignidade humana e com a preservação das instituições”, afirmou.

Para o deputado, o 25 de abril de 1945 representa um marco decisivo da história contemporânea. “A derrota do fascismo e da ocupação nazista abriu caminho para a reconstrução de uma nação fundada em princípios democráticos e constitucionais”, disse.

O deputado italiano Fábio Porta destacou os profundos laços históricos e culturais entre Brasil e Itália. Representante da comunidade italiana no exterior, o parlamentar ressaltou que a data tem sentido especial também para os brasileiros. “Essa data representa a festa da democracia, da liberdade e a lembrança daqueles que se sacrificaram e morreram pela nossa liberdade e pela nossa democracia. Para nós, italianos que vivemos e escolhemos o Brasil como segunda pátria, é uma festa dupla. Não é somente a festa dos italianos, é também a festa dos brasileiros”, afirmou.

A sessão também relembrou a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, com destaque para o papel da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Em 2026, celebram-se os 81 anos das vitórias da FEB na Itália. Após romper a neutralidade em 1943, o Brasil criou uma força expedicionária e, a partir de 1944, enviou cerca de 25 mil militares para lutar ao lado dos Aliados. O país foi o único da América Latina a enviar tropas para combater na Europa.

A atuação da FEB foi marcada por episódios decisivos, como a conquista de Monte Castelo, em fevereiro de 1945. Ao longo da campanha, os pracinhas participaram da libertação de aproximadamente 50 cidades e vilarejos italianos, contribuindo para o desfecho das operações que culminaram no Dia da Libertação.

“Foram mais de 25 mil combatentes brasileiros mobilizados nesse esforço histórico. Homens que deixaram seu país, suas famílias e sua vida cotidiana para enfrentar uma guerra em condições extremamente adversas”, disse Zarattini.

O representante do Exército Brasileiro, coronel Carlos Roberto Carvalho Daróz, doutor em História pela Université Libre de Bruxelles, ressaltou o significado da participação brasileira no conflito. “A participação brasileira na guerra teve também um profundo significado simbólico. Ao combater ao lado das nações aliadas, o Brasil reafirmou seu compromisso com a liberdade, com o direito internacional e com a cooperação entre os povos. Também se projetou no cenário internacional como uma nação capaz de contribuir ativamente para a construção da paz”, afirmou.

A secretária do Partido Democrático Italiano na América Latina, Marisa Barbato, destacou o caráter universal da data. “O 25 de Abril ser comemorado aqui no Congresso Nacional brasileiro significa afirmar que a liberdade não é um fato apenas nacional da Itália. É uma responsabilidade compartilhada. É o reconhecimento de que a liberdade, quando é conquistada, não permanece confinada aos limites de um Estado”, declarou.

O embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, ressaltou a importância histórica da participação brasileira. “Brasileiros, junto com outras forças, formaram o único contingente militar sul-americano que operou na Itália. As tropas brasileiras contribuíram de forma decisiva para a libertação do país, com grande coragem. É uma página extremamente importante na história das relações entre Itália e Brasil”, afirmou.

O representante da Associazione dei Ricercatori Italiani in Brasile, Marco Ianniruberto, destacou os reflexos da liberdade na ciência e na educação. “O Dia da Libertação também teve impacto na ciência e na educação. A liberdade é a base necessária para o desenvolvimento e o progresso da humanidade”, disse.

Zarattini também destacou a relevância histórica e atual da imigração italiana para a formação do Brasil, ressaltando a influência da comunidade ítalo-brasileira na construção do país. “Milhões de italianos e seus descendentes ajudaram a construir o nosso país, contribuindo para o desenvolvimento econômico, social e cultural do Brasil. Essa herança permanece viva e reforça a relação de amizade, respeito e cooperação entre nossas nações”, afirmou.

Compuseram a mesa da sessão solene o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), requerente da homenagem, o deputado italiano Fábio Porta, o embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, o coronel Carlos Roberto Carvalho Daróz, a secretária do Partido Democrático Italiano na América Latina, Marisa Barbato, e Marco Ianniruberto, representante da associação de pesquisadores italianos no Brasil.