
O deputado federal Carlos Zarattini (PT/SP) defendeu, durante audiência pública da comissão especial que debate o fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados, a aprovação da jornada de 40 horas semanais, com dois dias consecutivos de descanso e sem redução salarial. O debate contou com a participação do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que reiterou o apoio do governo federal à proposta.
Durante a audiência, Zarattini afirmou que a mudança precisa considerar a realidade das micro e pequenas empresas, responsáveis por parcela significativa da geração de empregos no país.
“Eu acho que nós vamos aprovar aqui os dois dias de descanso para os trabalhadores consecutivos e vamos aprovar também a redução para 40 horas”, declarou o parlamentar. Segundo ele, o Congresso também precisa evitar “uma transição que leve a uma frustração desse movimento nacional que conta com o apoio de 70% da população”.
Dados apresentados no debate indicam ampla aprovação popular da proposta. Levantamento do Datafolha mostra que 71% da população apoia o fim da escala 6×1. Entre mulheres, o índice chega a 77%, enquanto entre jovens de 16 a 24 anos alcança 83%.
Zarattini também destacou a necessidade de diálogo com os pequenos negócios. “Nós não podemos deixar de levar em conta esses milhões de microempresários, de pequenos empresários que fazem parte do sistema produtivo”, afirmou.
O deputado defendeu que o governo federal ofereça suporte técnico para auxiliar empresas na adaptação ao novo modelo de jornada. “Acho importante que a gente trabalhe juntamente com o governo federal uma proposta que ajude essas pequenas empresas, microempresas, a transitar para essa nova escala”, disse.
Pesquisa do Sebrae apresentada durante a audiência mostra que 92% dos micro e pequenos empresários conhecem a proposta, e a maioria percebe a mudança como neutra ou positiva para os negócios.
Na audiência, o ministro Luiz Marinho afirmou que o governo considera “plenamente sustentável” a redução imediata da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial e com duas folgas semanais.
Para Zarattini, a redução da jornada também responde a uma demanda de qualidade de vida. “Não é possível que ele queira trabalhar mais. Ele quer trabalhar menos e ganhar mais”, afirmou o deputado ao se referir aos microempreendedores e pequenos empresários.
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