Obra inaugurada sem segurança expõe moradores e é alvo de impasse judicial em Campinas

Zarattini criticou a forma como a obra foi entregue e a exposição imposta aos moradores.

16 abr 2026, 10:07 Tempo de leitura: 3 minutos, 0 segundos
Obra inaugurada sem segurança expõe moradores e é alvo de impasse judicial em Campinas

O governador Tarcísio de Freitas entregou, em Campinas, uma obra cercada por impasse judicial, denúncias de violação de direitos e falta de segurança adequada para a população. A inauguração do trecho duplicado da Rodovia Miguel Melhado Campos, em 11 de abril de 2026, ocorreu poucos dias depois de decisão liminar da Justiça de Campinas que suspendeu demolições e remoções de moradores no Jardim Campo Belo.

Em publicação no X, o deputado federal Carlos Zarattini criticou a forma como a obra foi entregue e a exposição imposta aos moradores. A duplicação foi inaugurada sem passarela, embora corte bairros inteiros. Trabalhadores, estudantes e moradores foram deixados diante da necessidade de atravessar uma pista com veículos em alta velocidade, sem faixa de pedestres e sem semáforo.

O próprio governador Tarcísio admitiu que a passarela não fazia parte do projeto original. A previsão é de que a estrutura só seja construída até 2027. Até lá, a população permanece exposta diariamente. O quadro se agrava com a intervenção da Justiça, que precisou barrar a retirada forçada de moradores após denúncias de pressão, ameaças e desrespeito aos prazos legais. “O resultado é uma obra entregue sem condições adequadas de segurança e em meio à violação de direitos, em um contexto claramente atravessado pelo calendário eleitoral”, criticou Zarattini.

O centro do problema está no fato de o governo estadual ter tratado a entrega da obra como vitrine administrativa, mesmo diante de passivos sociais e de questionamentos sobre as condições de operação do trecho. A ação judicial relata notificações com prazo inferior a 30 dias, em desacordo com o TAC, e o juiz apontou risco de dano irreversível às famílias caso as demolições continuassem. Também há relatos públicos de pressão e remoções forçadas no entorno da obra. “Tarcísio quer foto para seguir fazendo propaganda de uma gestão eficiente, mas o seu governo é o pior da história”, denunciou o parlamentar petista.

No plano da segurança viária, a situação também é grave. Reportagem publicada antes da inauguração registrou questionamentos do advogado que representa moradores da região sobre a liberação do tráfego sem licença de operação da Cetesb e sem estrutura adequada de travessia no km 90,6. O mesmo relato aponta ausência de sinalização suficiente e inexistência de passarela, com risco direto para pedestres, idosos, crianças, cadeirantes e trabalhadores que dependem da travessia para acessar pontos de ônibus.

Depois da inauguração, o próprio noticiário local informou que o projeto entregue não contemplava passarela e que o DER passou a mencionar soluções posteriores, como mudança de ponto de ônibus, análise de lombo-faixa e futura elaboração de projeto para a estrutura. Em outras palavras, a rodovia foi aberta antes da solução de um problema elementar de circulação segura para quem vive no território.

Politicamente, o episódio expõe um padrão. O governo prioriza a imagem da entrega e empurra para depois aquilo que afeta a vida concreta da população. A obra é apresentada como realização, enquanto moradores enfrentam remoções contestadas na Justiça e seguem expostos à travessia insegura. Nesse quadro, a inauguração deixa de ser apenas um ato administrativo e passa a simbolizar uma lógica de governo em que a fotografia da obra pronta vale mais do que o respeito aos direitos e à segurança urbana.