Zarattini critica ataques ao Irã e cobra retomada da via diplomática

O deputado federal Carlos Zarattini (PT/SP) criticou os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã

19 mar 2026, 11:14 Tempo de leitura: 2 minutos, 17 segundos
Zarattini critica ataques ao Irã e cobra retomada da via diplomática

Durante reunião da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa da Câmara dos Deputados, o deputado federal Carlos Zarattini (PT/SP) criticou os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e afirmou que a escalada militar agrava a instabilidade internacional, compromete negociações diplomáticas e amplia riscos para a economia global.

Na audiência com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, Zarattini destacou que o conflito não pode ser tratado como episódio isolado porque seus efeitos atingem o comércio internacional, a segurança energética e o equilíbrio político entre os países. “As relações do Brasil com o Irã são antigas e envolvem também interesses econômicos relevantes, inclusive para o agronegócio brasileiro. O que estamos vendo agora é uma escalada que interrompe negociações, mata civis e desorganiza qualquer saída diplomática”, afirmou o deputado.

O parlamentar citou o enfraquecimento dos mecanismos multilaterais e questionou qual tem sido a reação da Organização das Nações Unidas diante da nova ofensiva. Ele destacou que a sucessão de conflitos e ações unilaterais dos Estados Unidos produz um ambiente de insegurança permanente. Ele também associou esse cenário ao defender a classificação de facções criminosas como organizações terroristas. “A ampliação desse tipo de classificação não é neutra. Ela pode ser usada como instrumento de pressão externa e de intervenção sobre outros países”, disse Zarattini.

Em resposta, o ministro Mauro Vieira afirmou que o Brasil mantém posição em defesa da soberania nacional, da legalidade e da solução pacífica dos conflitos. “A posição oficial do governo brasileiro é contrária à classificação de organizações criminosas como organizações terroristas. O que existe é crime organizado, voltado à obtenção de ganhos financeiros, e não organizações terroristas com inspiração política”, declarou o ministro.

Mauro Vieira também reforçou que o governo brasileiro atua em cooperação com outros países no combate ao crime transnacional, ao tráfico de armas, ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro, mas sem admitir enquadramentos que abram margem para violações da soberania brasileira. Ao tratar da guerra no Oriente Médio, o chanceler afirmou que o Brasil sustenta uma posição de defesa da paz e da retomada das negociações.

Para Zarattini, a saída passa pelo fortalecimento da diplomacia. “O Brasil precisa defender a paz, a negociação e o respeito ao direito internacional. Não há saída legítima para esse tipo de conflito fora da política e da diplomacia”, afirmou.

Assista: