Presidente da Anvisa rebate ataque de Bolsonaro e cobra retratação

Em nota divulgada neste sábado, 8, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, rebateu declaração do presidente Jair Bolsonaro que questionou o interesse da Anvisa por trás da aprovação da vacinação de crianças contra a Covid-19.

10 jan 2022, 16:15 Tempo de leitura: 2 minutos, 54 segundos
Presidente da Anvisa rebate ataque de Bolsonaro e cobra retratação

Nota emitida pelo gabinete de Antônio Barra Torres responde a declaração de Bolsonaro questionando o interesse da agência por trás da aprovação da imunização infantil contra Covid-19.

Imagem: site do PT

Em nota divulgada neste sábado, 8, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, rebateu declaração do presidente Jair Bolsonaro que questionou o interesse da Anvisa por trás da aprovação da vacinação de crianças contra a Covid-19.

Em sua live semanal, depois de chamar os defensores da vacinação das crianças de “tarados por vacina”, Bolsonaro perguntou qual seria o interesse da Anvisa “por trás disso aí?”, voltando a atacar a instituição e seus técnicos, desta vez insinuando a existência de interesses escusos por trás da decisão de aprovar a vacinação infantil.

Na nota (veja abaixo), Barra Torres desafiou Bolsonaro a apresentar informações que “levantem o menor indício de corrupção” contra ele e contra a instituição e seus técnicos, determinando imediata investigação, ou então que se retrate das afirmações “exercendo a grandeza que o seu cargo demanda”.

Veja a íntegra da nota

Nota oficial emitida pelo Gabinete do Diretor Presidente da Anvisa, Sr. Antonio Barra Torres

Em relação ao recente questionamento do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, quanto à vacinação de crianças de 05 a 11 anos, no qual pergunta “Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí?”, o Diretor Presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, responde:

Senhor Presidente, como Oficial General da Marinha do Brasil, servi ao meu país por 32 anos. Pautei minha vida pessoal em austeridade e honra. Honra à minha família que, com dificuldades de todo o tipo, permitiram que eu tivesse acesso à melhor educação possível, para o único filho de uma auxiliar de enfermagem e um ferroviário.

Como médico, Senhor Presidente, procurei manter a razão à frente do sentimento. Mas sofri a cada perda, lamentei cada fracasso, e fiz questão de ser eu mesmo, o portador das piores notícias, quando a morte tomou de mim um paciente.

Como cristão, Senhor Presidente, busquei cumprir os mandamentos, mesmo tendo eu abraçado a carreira das armas. Nunca levantei falso testemunho.

Vou morrer sem conhecer riqueza Senhor Presidente. Mas vou morrer digno. Nunca me apropriei do que não fosse meu e nem pretendo fazer isso, à frente da Anvisa. Prezo muito os valores morais que meus pais praticaram e que pelo exemplo deles eu pude somar ao meu caráter.

Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, Senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar.

Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate.

Estamos combatendo o mesmo inimigo e ainda há muita guerra pela frente.
Rever uma fala ou um ato errado não diminuirá o senhor em nada. Muito pelo contrário.

Antonio Barra Torres
Diretor Presidente – Anvisa
Contra-Almirante RM1 Médico
Marinha do Brasil

Publicado originalmente no site do PT.