Áudio do banqueiro André Esteves evidencia o desprezo da elite ao povo brasileiro, denuncia Zarattini

“É isso que interessa a ele, enquanto isso, pouco importa, vamos dar 400 reais para ter paz social para o nosso povo. Ora, é inadmissível entender o Brasil dessa forma”, comentou Carlos Zarattini.

27 out 2021, 14:16 Tempo de leitura: 4 minutos, 48 segundos
Áudio do banqueiro André Esteves evidencia o desprezo da elite ao povo brasileiro, denuncia Zarattini
Foto: Gustavo Bezerra

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) criticou duramente o conteúdo do áudio que mostra o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, falando o que pensa sobre a conjuntura política e revelando a sua influência junto ao governo e o Congresso Nacional. Para ele, a fala do banqueiro a clientes do banco expressa claramente a insensibilidade das elites do País com a situação do povo brasileiro, conforme mostra o áudio revelado com exclusividade pelo site Brasil 247.

“Para André Esteves, o banco Pactual e o mercado financeiro pouco importa que hoje a riqueza esteja cada vez mais concentrada e que mais de 20 milhões de pessoas estejam passando fome”, denunciou Zarattini, em discurso no plenário da Câmara. Segundo ele, gente como André Esteves não se importa com a situação do povo. “ O que lhe importa é o gasto primário em relação ao PIB”.

Elite privilegiada

O deputado observou que o banqueiro assume claramente a condição de privilegiado e trata com desdém os programas de transferência de renda como o Bolsa Família e o Auxílio Emergencial, vistos por ele com o objetivo de apenas “trazer a paz social”. Segundo o banqueiro, os que têm “privilégios” podem “fazer uma pequena transferência de renda para quem não teve privilégio de ter educação e acesso”, o que gera paz social.

Zarattini criticou a visão tacanha do banqueiro. “Ele não tem uma visão de que o desenvolvimento do País passa pela distribuição de renda, de que o crescimento da economia depende da ampliação do mercado de consumo interno para, consequentemente, gerar equidade e mais equilíbrio entre as diversas classes sociais.”

O áudio, na opinião de Zarattini, é um retrato das elites que apoiam o governo militar de extrema direita e ultraliberal liderado por Jair Bolsonaro.  O parlamentar lamentou que os endinheirados do setor financeiro pensem apenas na possibilidade de sobrar dinheiro no Orçamento para pagar os juros da dívida interna. Ele lembrou que o Governo tem que pagar todo ano 300 bilhões de reais para os credores da dívida interna.

“É isso que interessa a ele, enquanto isso, pouco importa, vamos dar 400 reais para ter paz social para o nosso povo. Ora, é inadmissível entender o Brasil dessa forma”, comentou Carlos Zarattini.

Banco Central afinado com o mercado

O deputado petista disse ser inconcebível André Esteves ter contato direto com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para tratar da fixação de taxas de juros, embora o BC seja supostamente independente. “Nós não podemos aceitar isso, o presidente do Banco Central deveria ter compostura e estabelecer as suas políticas de regulação do mercado monetário não a partir da opinião de certas personalidades do mercado financeiro, mas sim dos seus técnicos”, pontuou Zarattini.

Ele assinalou que o BC tem autonomia diante do governo atual , “mas é submisso ao mercado” e está “colaborando para o aumento da dívida, a concentração de renda e o aumento da taxa de juros exatamente em um momento de estagnação da economia”. O parlamentar lembrou que a estagnação que já atingiu os setores mais pobres da população, com a chamada estagflação, num processo que inclui também a paralisia dos negócios, com 600 mil empresas fechadas e uma inflação que ultrapassa os 10%.

Paulo Guedes, o “negocista”

Segundo Zarattini, o governo atual é de “ negócios, e o chefe, o negocista-mor se chama exatamente Paulo Guedes”. Para o deputado, o ministro da Economia “ não abre mão de continuar a fazer negócios”, citando como exemplo as declarações de Guedes favoráveis à privatização da estratégica Petrobras. As declarações do ministro tiveram impacto na Bolsa de Valores, com a valorização das ações da Petrobras.

Zarattini criticou a política de dolarização dos preços da Petrobras, que tem levado à explosão dos valores da gasolina e do óleo diesel, com impacto direto na inflação e no bolso dos consumidores brasileiros. O deputado disse que política de dolarização dos preços visa apenas a atender cerca de 2 mil acionistas da Petrobras, brasileiros e estrangeiros, o que levou ao astronômico lucro de 42 bilhões de reais em um semestre. “Esse é o chamado mercado, e para esse mercado a concentração de renda não quer dizer nada, estamos vendo aí o que a Petrobras está fazendo.”

Zarattini condenou também a visão mercantilista de outros setores da economia, como o do agronegócio. Ele assinalou que o preço da carne tem que baixar naturalmente com a suspensão das importações do produto pela China, já que se cria um excedente no mercado interno. Mas os pecuaristas não admitem essa possibilidade e forçam o governo Bolsonaro a estocar carne para manter a mesma cotação extorsiva que tem levado o povo a entrar na fila para conseguir ossos.

“Ora, estoque regulador não é para manter preço alto, é para abaixar preço, mas o agronegócio não aceita isso”, sublinhou Zarattini. Essa prática do agronegócio foi comparada por ele à dos acionistas privados da Petrobras, os quais “impõem uma política de superlucro na maior empresa estatal brasileira, criada para atender o povo brasileiro e garantir combustíveis por um preço módico”. A pressão desses acionistas é para criar preços “absolutamente irreais, que evidentemente vão levar a um conflito social”, alertou Zarattini.

Assista ao discurso do deputado no plenário da Câmara:

Matéria publicada originalmente no site PT na Câmara e replicada neste canal.